segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Araguaya: A Conspiração do Silêncio

.
.
.



Sinopse: O exército brasileiro no auge da ideologia da segurança nacional, um partido de esquerda dissidente, militante aguerridos (a maioria deles ainda jovens e inexperientes), inocentes camponeses e uma região onde a ambição e a miséria disputavam lugar palmo a palmo.Esse é o cenário de Conspiração do Silêncio, longa metragem de ficção baseado em extensa pesquisa empreendida pelo realizador e roteirista Ronaldo Duque sobre a Guerrilha do Araguaia, um dos episódios mais importantes de nossa história contemporânea.

Título Original: Araguaya, Conspiração do Silêncio
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 105 min.
Ano de Lançamento (Brasil): 2004
Distribuição:
Direção: Ronaldo Duque
Roteiro: Ronaldo Duque, Guilherme Reis e Paula Simas
Produção: Ronaldo Duque e Marcio Curi
Direção de produção: Luiz Antônio Gerace (Chacra)
Produtores associados: Sâmia Gabriel e Daniel Gomez
Produção executiva: Marcio Curi
Elenco: Guilherme Reis
Direção de fotografia: Luís Abramo e Jacques Cheuiche
Direção de arte: Pedro Daldegan e Eurico Rocha
Figurino: Maria Carmem Souza
Som: Chico Bororo
Música original: Renio Quintas
Montagem: André Cardoso

ARAGUAYA, A CONSPIRAÇÃO DO SILÊNCIO

O filme Araguaya retrata o contexto da Guerra do Araguaia, quando grupos de guerrilha se articulavam na região para levar as forças de resistência a uma briga armada para libertar o país dos militares. Foi o primeiro filme de ficção de Ronaldo Duque.
O filme tem seu valor no que tange a pesquisa histórica, podendo ser, inclusive, um bom instrumento nas aulas do ensino fundamental e médio.
Araguaya é narrado através da visão do padre francês François, mais conhecido como Padre Chico.
Não é um filme da ditadura que apela para as imagens de tortura. O filme limita-se a contar a história da movimentação militar para a região do Araguaia, afim de conter a guerrilha que lá se instaura. Quando falo "limita-se", entenda a palavra com todas as formas que ela permite.
No filme falta o trabalho da tensão que assolava o espaço social na época, aquilo que se pode traduzir como "algo está na iminência de ocorrer". Os conflitos internos dos personagens também são pouquíssimo trabalhados, inclusos os do protagonista, padre Chico. O que sentimos no filme é um afastamento de todos os personagens. Quando começamos a nos apegar pela história de alguém, o diretor opta por cortar para outro personagem.
O padre amaro consegue ter a frieza de um europeu, sem querer tê-la. Seus conflitos com a batina são evidentes, mas pouco explorados, exceto em algumas discussões com seu companheiro de igreja. O possível romance não revelado, o romance interno entre o padre e a personagem Tininha é trabalhado em apenas duas breves cenas, ficando perceptível apenas aos mais atentos.
O afastamento do sudeste fez com que o diretor afastasse o Araguaia da realidade político-social da época. Os moradores da região não possuem rostos, cheiros, sentimentos... são apenas mencionados por outras vozes. O que, mesmo que intencionalmente, serviu para enfraquecer o filme.
Os policiais do filme ajudam ao desgosto. Parecem que além de não possuírem dons humanos, não são também dotados do sentimento fascista que compartilhavam os militares da época... são outros incolores em um mundo que era para ser cinza, mas não foi nada.

Araguaya não me agradou. Para mim, o menor dos filmes da ditadura Brasileira que vi até hoje.

domingo, 19 de julho de 2009

Forceps/ Cinebrasa



Escrito por Kel Baster:

Olá queridos (a)!

quero convidá-los a participar de um fim de semana gostoso em Sabará.
Eu, a Débora Fantini e o pessoal do Fórceps, vamos apresentar nos próximos 25 e 26 de julho o CineBrasa dentro do Festival Escambo, na programação do Festival de Inverno de Sabará.

O Cinebrasa para quem não conhece é o cineclube do Fórceps www.forceps.com.br

Esse ano montamos quatro programas bem legais para ver, ouvir, refletir e comentar sobre cinema, de quebra depois do CineBrasa, subimos a praça para ver alguns shows e beber uma cervejinha.

A exibição será na rua de 18h às 20h com entrada franca.

Espero todos vocês! E divulguem a idéia com os amigos.

Abaixo, segue a programação e em anexo o flyer do Festival com a programação completa de tudo o que rola no Escambo.

CineBrasa – Escambo / Festival de Inverno de Sabará 2009

Cada programa conta com 30 minutos de exibição e mais 30 minutos de debate com o diretor.



Programação

Local: Largo Jogo da Bola - Sabará



Sábado 25/07 – 18h às 20h

Programa 1 – Igor Amim

Produção independente de micro-curtas experimentais de Igor Amim



* Hipermercado 2006 1’35’’
* Moysés, Dentista 2006 3’26”
* Divergrandpa 2008 1’44”
* Watergrandma 2008 1’
* Teletommy 2008 3’
* Free Tibet 2008 3’
* Melô da Celeste 2008, 1’
* Mohammed Gameover, 2008 2’
* Brutus 2008, 2’36”
* Picnic sur le quai 2008, 3’
* Primavera underground 2008, 1’21”
* Jorge’s 2009, 1’
* Mulher Bomba 2009, 3’
* Cozinha de Rua remix 2009, 1’
* Woman Trade Center 2009, 3’



Igor Amin é coordenador do cineclube Curta-Circuito, de Belo Horizonte, e realizador e sócio proprietário de A Produtora. Sua obra é composta por microcurtas de cerca de 1 minuto de duração, trilhando novos formatos do cinema e do vídeo.



Programa 2 – Byron O’Neill



Produção de curtas metragens “faça você mesmo” por Byron O’Neill



* Curta-metragem metalingüístico de baixo orçamento ou aceita mais café? 8’8”

Sinopse: Paciente acorda dentro de um curta-metragem e sua enfermeira insiste para que ela aceite mais café.



* Na ponta dos pés 3’02”

Sinopse: Bailarina dança pela cidade e se depara com problemas da vida urbana.



* Era uma vez... 9’48”

Sinopse: Era uma vez a noite escura e uma fada que esperava o ônibus passar...



Diretor, Fotógrafo, Ator e Preparador de Elenco, Byron O’Neil é um dos profissionais mais premiados do meio cinematográfico mineiro, desde projetos

em que dirigiu como os filmes exibidos no Cinebrasa a outros onde fez fotografia (“Material Bruto”, de Ricardo Alves Jr., prêmio da Crítica do 9º Festival Internacional de Curtas de BH).



Domingo 26/07 – 18h às 20h

Programa 3 – Sávio Leite

Cinema de animação



* Eu sou como o polvo – 5’
* Terra – 5’
* O Vento – 8’30”
* Lúmen – 4’



Homenageado: Wilian Salvador – animador mineiro falecido em junho deste ano, o seu único filme, “Lúmen” (2007), foi a animação que mais trouxe prêmios para a Escola de Belas Artes da UFMG.


Sávio Leite é diretor de animações nas quais utiliza desenhos de artistas, como o paulistano Lourenço Mutarelli - o documentário “Eu sou como um polvo” e o mineiro Binho Barreto -“Terra”, que tem ainda narração do ator Paulo César Pereio e trilha sonora da banda mineira Fusile. Sávio Leite foi o homenageado na VII Mostra Minas de Cinema e Vídeo, realizada em Belo Horizonte, em junho de 2009.



Programa 4

Trilhas de cinema: para ver e ouvir por Thiago Sá



* Relógio Analógico – 5’20”

Sinopse: Um encontro casual. Quando os tempos onírico e real se misturam, as horas se multiplicam.



* Um quarto – 1’48”

Sinopse: stop motion sobre quarto, tempo, música e amor.



Tendo colaborado na trilha sonora dos curtas “Contemporâneo”, de Ana Carolina, “Labuta”, de Samantha Capideville e “Eu Queria Ser...”, de Laudimir Vieira, Thiago Sá dirigiu em 2006 “Relógio Analógico”, junto de Wladimir Léo e Gláucio Dutra, prêmio de Melhor Vídeo Universitário no 8º Festival Internacional de Curtas de BH, é músico integrante da Banda cLAP!.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Mostra Minas de Cinema e Vídeo

...


video

No início de junho, o Cine Humberto Mauro apresenta a VII Mostra Minas de Cinema e Vídeo. Neste ano, além da mostra competitiva, o realizador Sávio Leite será homenageado com uma mostra dedicada a seus trabalhos. Puderam se inscrever na mostra competitiva, sem restrições de formato, obras audiovisuais nas seguintes categorias: ficção, documentário, vídeo-poema, experimental e animação. Além da competitiva e das mostras Homenagem e Educação, irão acontecer mesas-redondas que discutirão a criação e a pesquisa na produção de vídeo e cinema contemporâneo compostas por realizadores, pesquisadores da história do cinema e de literatura.


Maiores informações:
http://www.fcs.mg.gov.br/agenda/detalhes.aspx?IdAgenda=1064



domingo, 12 de abril de 2009

VII MOSTRA MINAS DE CINEMA E VIDEO

REGULAMENTO

1. Objetivos
1.1. O presente regulamento tem por objetivo estabelecer as normas de inscrição, seleção e premiação de obras audiovisuais para a Mostra Competitiva da VII Mostra Minas de Cinema e Vídeo.
1.2. As obras poderão ser inscritas no período de 23/03 a 17/04 de 2009.
1.3. A mostra é aberta a realizadores mineiros ou que sejam radicados em Minas Gerais há pelo menos cinco anos.
1.4. As finalidades principais da Mostra Minas de Cinema e Vídeo são:
1.4.1. difundir e debater a produção audiovisual mineira contemporânea;
1.4.2. contribuir para a formação de um público interessado nessa produção;
1.4.3. discutir as relações entre audiovisual, literatura e formação de leitores de telas e textos.

2. Organização do evento
2.1. A VII Mostra Minas de Cinema e Vídeo é organizada pelo Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão A tela e o texto, por meio do Setor de Mostras e Estudos Audiovisuais.

3. Locais e datas
3.1. A VII Mostra Minas de Cinema e Vídeo ocorrerá nos dias 4, 5 e 6 de junho de 2009, das 19h às 22 horas, no Cine Humberto Mauro (Palácio das Artes) e em outros locais de Belo Horizonte, como Centros Culturais, Centros de Apoio Comunitário e Restaurante Popular de Belo Horizonte, em datas a especificar.

4. Condições para inscrição
4.1. Poderão ser inscritos, sem restrições de formato de produção, gênero ou tema, trabalhos audiovisuais nas categorias ficção, documentário, vídeo-poema, experimental ou animação finalizados entre março de 2008 e março de 2009. 4.2. Somente serão aceitas as produções de autoria de realizadores mineiros ou radicados em Minas Gerais há pelo menos cinco anos.
4.2. As inscrições são gratuitas.
4.3. Os trabalhos poderão ser inscritos pelos próprios realizadores ou por procuradores legalmente constituídos.
4.4. Cada participante poderá inscrever no máximo 2 (duas) obras audiovisuais.
4.5. A cópia da obra para análise da Comissão de Seleção deverá ser enviada exclusivamente em DVD (padrão NTSC), acondicionada em DVD Box retangular, com tempo de duração indicado de modo preciso (tolerância de 1 segundo).
4.6. As obras inscritas na seleção para a VII Mostra Minas de Cinema e Vídeo passarão a fazer parte do acervo do Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão A tela e o texto.
4.7. As obras inscritas poderão ser exibidas e debatidas durante a VII Mostra Minas de Cinema e Vídeo e em outros eventos sem fins comerciais, organizados ou apoiados pelo Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão A tela e o texto, não implicando essa forma de uso qualquer ônus relativo a direitos autorais.

5. Inscrições
5.1. A ficha de inscrição ficará disponível no site www.letras.ufmg.br/atelaeotexto, página do Setor de Mostras e Estudos Audiovisuais, no período de 23 de março a 17 de abril de 2009. Para visualizá-la, clique aqui
5.2. O proponente da obra audiovisual deverá preencher a ficha de inscrição e enviá-la para o endereço eletrônico telatexto@gmail.com, registrando em "assunto" a expressão MOSTRA MINAS e anexando à mensagem dois fotogramas digitais para divulgação da obra audiovisual, com resolução de 300 dpi, em formato jpg ou gif. Somente serão aceitos os fotogramas enviados por e-mail.
5.3 Em seguida, o responsável pela inscrição deve fazer chegar à organização da Mostra, pessoalmente ou pelos Correios, os seguintes itens:
5.2.1. cópia de documento oficial de identidade;
5.2.2. cópia impressa da ficha de inscrição, preenchida de modo completo e assinada;
5.2.3. cópia da obra audiovisual, exclusivamente em DVD (padrão NTSC);
5.2.4. cópia de 2 (dois) comprovantes de domicílio em Minas Gerais, em nome do realizador, sendo um com data de há pelo menos cinco anos e outro com endereço e data atuais (para realizadores não naturais de Minas Gerais).
5.4. Somente serão aceitas inscrições nas quais os itens descritos sejam encaminhados pessoalmente ou enviados pelos Correio (exclusivamente via SEDEX ou carta registrada) para o seguinte endereço:

Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão A tela e o texto
MARIA ANTONIETA PEREIRA
R. Frei Leopoldo, 39, sala 18
Bairro Ouro Preto – Belo Horizonte – MG
CEP 31310-190


5.5. No caso de envio pelos Correios, a data de postagem registrada pela agência dever ser, no máximo, 17 de abril de 2009.
5.6. O proponente de cada obra será responsável por todas as despesas referentes ao envio do material de inscrição.
5.7. A Organização da Mostra Minas não se responsabiliza pela ocorrência de devoluções, extravios, cobranças de taxas e impostos ou quaisquer outras eventualidades decorrentes do cumprimento do item 5.4.
5.8. A inscrição somente estará efetivada após o recebimento de todos os documentos especificados no item 5.2 e confirmada ao proponente, via e-mail, pela Organização da Mostra Minas.
5.9. O não cumprimento de qualquer das normas deste regulamento implicará a desclassificação do proponente.

6. Seleção
6.1. As obras serão selecionadas por uma Comissão composta por integrantes do Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão A tela e o texto e outros membros por ele indicados. As decisões da Comissão serão irrecorríveis, soberanas e finais.
6.2. Serão selecionadas até 3 (três) obras para cada categoria.
6.3. O resultado da seleção das obras que concorrerão na Mostra Competitiva da VII Mostra Minas de Cinema e Vídeo será divulgado no site www.letras.ufmg.br/atelaeotexto, a partir do 04 de maio de 2009.
6.4. O realizador de cada filme inscrito autoriza a exibição pública em cinema, televisão e Internet de trechos da obra, como parte da divulgação da Mostra Minas de Cinema e Vídeo, em qualquer tempo, sem que isso represente quaisquer ônus relativos a direitos autorais.
6.7. Todas as obras selecionadas receberão Certificado de Participação na VII Mostra Minas de Cinema e Vídeo.

7. Classificação e premiação
7.1. Durante a VII Mostra Minas de Cinema e Vídeo, no período de 4 a 6 de junho de 2009, um Júri Especializado e um Júri Popular serão responsáveis pela classificação dos concorrentes da Mostra Competitiva. O Júri Especializado será composto por profissionais da área de Cinema e Literatura e escolherá os cinco primeiros colocados de cada categoria. O Júri Popular elegerá, por meio de voto secreto, a melhor obra segundo os espectadores.
7.2. As cinco obras escolhidas pelo Júri Especializado receberão um certificado de premiação e um prêmio a ser definido.
7.3. A melhor obra escolhida pelo Júri Popular receberá um certificado. Nessa modalidade, não haverá premiação.

8. Disposições finais
8.1. A inscrição na VII Mostra Minas de Cinema e Vídeo implica a aceitação de todos os itens deste regulamento.
8.2. É vedada a participação de obra cujo(a) autor(a) seja integrante do Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão A tela e o texto.
8.3. Os casos omissos serão decididos pela Organização da VII Mostra Minas de Cinema e Vídeo.

Belo Horizonte, 09 de março de 2009.


REALIZAÇÃO

Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão A tela e o texto


APOIO:

Café Pingado Filmes

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Vicky, Cristina e Barcelona

.


Woody Allen é um cineasta que se preocupa com a funcionabilidade discursiva no cinema. Ele sempre procura a maneira mais eficaz para narrar uma história, buscando a satisfação do espectador mais simples aos mais eruditos críticos de cinema. Em pouco tempo de estréia no Brasil, seu mais novo filme, Vicky, Cristina e Barcelona, vem arrancando excelentes críticas entre os especialistas. Característico de Woody Allen, o filme é bastante cômico com tons de sarcasmo. Vicky, Cristina e Barcelona é uma comédia romântica não romantica. É uma obra que fala de um triangulo amoroso com toques de infidelidade. Os personagens, que as vezes ultrapassam o limite da loucura e da histeria, são sempre pessoas que estão marcadas pela solidão, dúvidas ou tédio. Além de ter mais uma vez feito um excelente filme, Allen acertou ao convidar Javier Bardem para fazer o papel de “amante latino” e Penelope Cruz para encenar uma louca histérica perdidamente apaixonada. Não é atoa que dizem que Woody Allen é um entretenimento inteligente. Para aqueles que querem ver um excelente filme ou apenas um beijo entre Penelope Cruz e Scarlett Johansson, essa é a indicação da semana. E para aqueles que nunca assistiram os filmes de Woody Allen, alugue todos na locadora, é certo que não vão se arrepender.


terça-feira, 4 de novembro de 2008

Última parada 174



Quase todos devem se lembrar do dramático episódio que aconteceu no ônibus da linha 174, no ano 2000, no centro do Rio de Janeiro. No último dia 24 foi lançado o filme que retrata essa história. Com direção de Bruno Barreto, Ultima Parada 174 tinha tudo pra ser mais um filme sobre a condição social brasileira ou mais um filme que retrate a favela. Exatamente, tinha! Apesar do Brasil ter produzido milhares de filmes com a mesma temática, a obra de Barreto vai além das questões sociais brasileiras, fixa-se nas condições humanas. O filme é apresentado sob o ponto de vista do jovem Sandro, um garoto sem referenciais familiares que desde bem novo se introduz no mundo das drogas e do crime, fatores que influenciaram no seqüestro do ônibus 174 culminando com a morte de uma passageira e do próprio seqüestrador. Com uma atuação brilhante do ator Michel de Souza, o filme será o representante brasileiro no Oscar de 2009.

Sur

Todo cineasta sempre tem alguma ligação com um filme ou um diretor que o fez virar, além de profissional do cinema, um cinéfilo.
Confesso que sou apaixonado pelos filmes dos irmãos Cohen, por Hitchcock, por De Palma, Kubrick, Glauber, entre outros vários. Mas o cineasta que me inspirou paixão por aquilo que hoje tomo como profissão foi um argentino chamado Fernando Solanas.
Solanas sempre foi membro da classe média alta e sempre estudou nas melhores escolas, mas jamais deixou de se preocupar com as questões sociais e humanas de seu país.
Candidatou-se à presidencia da República da Argentina pelo partido "Projeto Sur", foi ameaçado de morte e chegou até mesmo a tomar um tiro, mas nunca, nunca deixou de exercer, através do ativismo e principalmente do cinema, sua revolta e crítica contra as injustiças políticas e sociais.


Hoje, em respeito e homenagem à "Pino" Solanas, falarei sobre um filme que conta muitas histórias, e que para mim, mistura a minha própria história com o cinema: SUR


SUR

http://www.youtube.com/watch?v=r-LyvT52frY&feature=related



Sur é um filme que mescla estilos: Vai do Noir à luz de palco, cheio de poesias e musicalidades. É sobre tudo um filme que fala de política, de ditadura, de opressão e principalmente de esperança.



O filme tem como plano central a história de Floreal, um homem que fora preso na época da ditadura argentina e que acabara de ganhar sua liberdade. Floreal ao sair da prisão se depara com uma Argentina vazia, com reflexos da opressão política. As ruas escuras, cheias de papeis picados e com um vento constante é o palco de todo a narração.


Já nas ruas, Floreal começa a reviver momentos da vida pré-cadeia. Ele reencontra amigos que o contam sobre a vida enquanto esteve preso. Todos os diálogos são produzidos nas ruas, estas como representação de um ambiente interno. Hora um bar, hora uma casa. Ainda em seus pensamentos Floreal encontra com seu amigo morto, este o leva para um tour na cidade escura e sombria. Por várias vezes ele também encontra com o senhor Amado, interpretado pelo famoso cantor de tango Goyeneche. Amado conta suas histórias cantando tango, o que trás ao filme um tom romantico e poético.

Em todas as ações papéis picados bailam pelo ambiente, como se imprimissem um certo pesar à poética e à narração.

Narrações secundárias, através de flash-backs, trazem à história infomações de como e porque Floreal foi preso e a rotina de seus amigos e parentes enquanto estava em cárcere.

Numa das histórias nos é revelado um relacionamento que a esposa de Floreal, Rosi, teve com um de seus amigos. Até certa época, Rosi não tinha nem mesmo certeza de que seu marido estava vivo. Sua fraqueza perante as incertezas, ao mundo cruel e à saudade, levaram-na a ter um novo romance.


Esse romance passa a ser, também, fruto de assombração do Floreal no presente. Ele descobre tudo ainda na cadeia, e ao sair, a figura do amigo passa a ser assombrosa, como a de um traidor.

Enquanto Floreal passea pela cidade de Buenos Aires com seus devaneios e assombros, uma segunda narração começa a levar os amigos da personagem à sua busca.
Em uma repartição pública, amigos de Floreal vêem funcionários rasgando livros considerados subversivos pela ditadura. Uma máquina detetizadora surge emanando fumaça para todos os lados. A partir daí entendemos porque todo o filme se passa em um ambiente enfumaçado, sombrio e cheio de papéis circulando pelas ruas.



Floreal é encontrado e a narração é voltada para as visitas de Rosi à prisão. Ao saber que foi traído Floreal impede a esposa de visitá-lo.

No tempo presente, descobrimos que uma das buscas de Floreal é pelo perdão. Sua esposa descobre que ele fora solto e fica imaginando o reencontro.

No fim, Floreal volta à sua casa. Alguns detalhes desta obra prima ficarão para a curiosidade do leitor.

Sur é um filme polítizado, de críticas pesadas e com um toque enorme de romantismo e tango.